13 August, 2009

O laranja de final de tarde, estival, espreitava por entre as árvores.
Deitada debaixo dos ramos longos, que quase beijam o chão, ramos que já abrigaram tantos sonhos e gargalhadas, deixa a mente vaguear.

“Para quê um divã num quarto cinzento quando se tem o verde, o laranja e o azul reunidos em torno da brisa?”

Desde há meses que não olha a natureza da mesma forma. Acima de tudo, a natureza humana.
A viva e verdejante – e com ela – aprendeu a ver com os olhos da alma. A ver como os detalhes podem parecer saídos de obras-de-arte. A enquadrar elementos para mais tarde recordar. Aprendeu a resgatar detalhes que tenta, contra a personalidade da sua memória fotográfica, guardar na memória.
Mas a natureza humana... a humana...
Essa natureza não cansa. Será pela capacidade de surpreender? Pelo expectável dentro do inesperado?

Que não a olham como deviam? Sabe. Que, pela sua personalidade fugidia, é sempre vista como responsável e causadora? Imagina.
Porque os sentimentos e a sensibilidade, poucos conhecem. (Às vezes nem ela...)
A maior surpresa reside dentro dela. Dos passos pequenos que dá, que por vezes se transformam em corridas de 100 metros barreiras num passe mágico. Quando as palavras lhe escapam dos lábios. Quando, de manhã, se imagina capaz de fazer algo, que até aí, não fazia parte da sua personalidade.

A temperatura começa a descer... mas o brilho do Sol permanece. No sorriso aberto de que poucos conhecem o esplendor, nos olhos que poucos conseguem ou sabem ler.
Esta unicidade existe ainda? Talvez... o acesso é que se torna difícil. “Todos são maus até prova em contrário.” Profundamente agradecida por quem tem, não consegue evitar um suspiro triste quando esta frase se repete interiormente. Agora percebe a verdade nesta frase, enquanto pensa em largar o mundo por um (certo) abraço. Daqueles que despem, não o corpo, mas a mente. O quanto anseia por esse toque...

E a mente... essa viaja, a uma velocidade cada vez maior.
A relva fofa é o chão que sente, que a prende à realidade... o lugar de onde gostaria de escapar, pelo receio de repetir estórias ou de, mais uma vez, na sofreguidão, escolher o trilho errado.
Olha o laranja do céu mais uma vez. Respira a brisa enquanto tenta sacudir as memórias e deixar permanecer apenas um sorriso. O seu (que parece tão perdido e desprovido).

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Caght in the warmth of you after all the walls came tumbling down.
So here I find myself again... hostage of a dream. When all I seek is reality.
I used to ask “make me believe”. Now... I just want you near, not to test me or to make the nightmares go away... but just to be close.


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Vitinho... como é que sabias que aquela é a minha música favorita dos Humanos? ;)

5 thoughts unleashed:

João Pedro said...

Beijo grande Izzie. ;-)

Ninja! said...

Muito bem! :D

Fatucha said...

olá, apreciar a natureza faz falta, nela encontramos as repostas ás nossas duvidas mais intimas... bjs

1/2Kg de Broa said...

Porque tenho um faro como o dos cães e eu adivinho este tipo de coisas.

Até aposto que sabes falar e escrever inglês!
Acertei?!

Eu logo vi que tinha poderes :D

PEDRO PINA said...

laranja é a minha cor
a cor da terra molhada kdo xove!

 
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