18 December, 2009

Ouvi este poema, declamado na timidez de quem não gosta de câmaras (como te compreendo!), mas com o amor na voz de quem vive e faz o que ama.
Finalizou a presença da imagem grande e bonita, que na sua "inocência" enchia o ecrã, com estas palavras:


À vinda do supermercado
diz-me o pequeno monstro
que às vezes me faz companhia:
"E qual será a tua razão de ser?"

Na rua, a tarde rola devagar
entre prédios murchos - e ele
acrescenta: "Não me digas
que são os versos."

E ri-se.


Rui Pires Cabral in Capitais da Solidão

Pintas(te-me) os monstros como negros. Como seres aterradores. Deles aprendi o medo que tu próprio ponhas na voz.
Mas hoje... penso sozinha: não serão eles uma companhia?
São. São parte de nós. Todos nós os temos.
Os meus?... Não me aterram. Ajudam-me a ver o que prefero (?) chamar de cegueira (consentida).

Mas mal o ouvi, fora as similariedades físicas que só eu vejo, lembrei-me de ti.
Como eu sorrio a esta escrita. E tu não.

2 thoughts unleashed:

Anonymous said...
This comment has been removed by a blog administrator.
OT said...

grande reflexão!
é verdade, todos
temos os nossos
monstros e o que
nos torna singulares
é não os deixarmos
apoderarem-se de nós!

Votos de um Feliz Natal.

 
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