16 October, 2009

As areias movediças sempre me fascinaram.
Sim... eu sei... são a morte certa; a asfixa (mais do que democrática...), o pânico, o fim.
Mas sempre que penso em alguém (engraçado que nunca sou eu...) preso, naquele processo de "afogamento", não consigo deixar de pensar que a areia deve parecer-se algo como papas de aveia. Macia, quente, aconchegante, quase reconfortante. Nesses momentos, quase consigo sentir essa ambiência, esse toque na pele...
E o estranho está em que esta imagem está mais e mais comigo desde Domingo, quando, de certa forma, passei por uma situação quase oposta, a meu ver. Percebo agora porquê quem passou por esse tipo de cerimónia, quem fala, tem um brilho nos olhos, lhe dedica a vida, quase como um viciado. Também eu mal posso esperar por voltar!... mas agora com o medo que não volte a ser igual. Incrível esta minha capacidade de me amedrontar... não? Damm it, girl!

Depois vem o amargo de boca, a frustração. Volto a querer, a estar perto de fazer algo que sempre admirei nos outros. Volto a esticar os braços para agarrar, a esticar para alcançar... algo.
Olho à volta e vejo... problemas, desilusões... e - surpreendentemente! - já não me sinto ir (tão) abaixo, porque, vinda não sei de onde (ou será que sei?...), vem uma pequena Luz.
Então... oh joy!... quero (voltar a) dar, ajudar, sentir, mudar. E na "ânsia" (com melhor índole, desta vez) procuro. O triste? é que pouco encontro.
A uns quero gritar: Não fujas!
A outros sussurrar: Volta...

Mas do que é que gostei mesmo, MESMO?
Ao perder-me nestes pensamentos (que muitos de vocês devem estar a ver como insanos)... quarta-feira, em plena estação de comboios apinhada de gente (em hora de ponta), voltei-me a sentir doce, capaz de ternura.
Porque os olhos da menina pequenina, que agora olha para a rua, para o outro lado do passeio, também hão de olhar para alguém ( ou algo) que a espere à saída da carruagem. Any time soon...

13 thoughts unleashed:

Eva Gonçalves said...

Ainda bem que sentes essa luz izzie, vinda sei lá de onde...
O problema das areias movediças, é o problema de certos outros encantos...deixamo-nos ir, sem resistência e quando damos por ela, já não conseguimos saír... mas pode sempre acontecer passar alguém nesse preciso momento com uma corda na mão! You just never know what lies ahead(or on the other side of the street...) :)

Miuda Do Armário said...

a isso eu chamo o maravilhoso sentimento da esperança =D

embora as "areias movediças" nunca desapareçam, por vezes conseguimos contorna-las durante muito tempo, e é um sentimento estupendo, esse da segurança e de felicidade momentanea.

fica bem, beijinho =)

Anonymous said...
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João Pedro said...

Que bom ler-te assim, com um olhar de esperança no futuro. Gosto! :-)

Beijo,

Zoninho said...

odeio papas de aveia... e o seguimento há-de dar espaço a mais tempo para te comentar. por agora é só para te agradecer o comentário, hei-de continuar a "ver-te" no google reader (sim, acredita que este mês tem sido um inferno de falta de tempo). e também sem essa política do "toma lá, dá cá"! sim, somos dois, mas o Zé ainda anda pior que eu no que ao tempo diz respeito. somos um, sendo dois. simples, não é? :) podes, portanto, dizer "tu" ou "vós", é-nos indiferente (até porque, em geral, a sintonia é grande)

luz...
ah, bendita luz! agradeço que me tenhas dado conta da identificação! também me acontece muita vez identificar-me na escrita dos outros, identificar-me com os outros. por exemplo, esticar os braços para agarrar!

a Teresa e esse alguém que já perdeste... deves perceber bem então do que falo. infelizmente...


um grande abraço
e obrigado!

Anonymous said...
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Sávio Fernandes said...

Eu juro que queria fazer um comentário sério mas essa analogia de areias movediças com papa de aveia é de uma poesia cómica.

[Epá, e o que eu adoro papa de aveia..?! Vou já pôr na lista de compras. Tks.
Bjs. (: ]

Maxwell said...

:) O comboio é qualquer coisa. Eu gosto de imaginar como seria se eu fosse um (mais o metro...). Tanta gente, tantas vidas tantas bolhas de sabão presas n'aquele instante, n'aquele espaço; algo mágico, assustador até.

PS: ia eu no comboio hoje (destino: Thomar) deitado, como de costume nos bancos de 3 logares a ler, quase dormindo, quando me entra pela carrugem a dentro uma visita de estudo de putos com uns 8 annos de idade. Muito gritavam e cantavam aquelas irritantes pestes (sim, eu detesto criansas) e, ao mesmo tempo parti-me a rir porque-- não sei bem-- (just sharing xD )

Anonymous said...
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Anna said...

Beautiful picture and lovely song! x

Anonymous said...
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Inês Brito said...

Levando as coisas um pouco literalmente e na brincadeira, eu quando era mais pequena tinha um pânico enorme a areias movediças por causa de uns desenhos animados com dinossauros.

Ainda bem que é possivel voltar à felicidade inocência uma vez por outra :)

Bj,
(i)

Anonymous said...
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