28 June, 2011

de dizer o mesmo:

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é. 
Alberto Caeiro

Este fim-de-semana, já sozinha, debaixo do calor, numa cidade nova, lembrei-me das noites sem dormir à volta do Fernando e dos seus personagens na tela. Do projecto perfeito, que ainda hoje (me) orgulha.
E estas palavras dizem tudo.
Tudo é real e tudo está, lentamente, a ficar certo. Pelo menos para já.

7 thoughts unleashed:

Blue star said...

Adoro este poema =)
Muito bem escolhido
* * *

Eva Gonçalves said...

Latim, não sei querida, mas dançar e cantar, podes contar comigo!! :)))Fico feliz de te ouvir dizer que está tudo a ficar certo... :)Bjo

Porque um dia me perdi... said...

:) feliz em ver-te voltar erguer a cabeça.

:) beijo enorme

Porque um dia me perdi... said...

Voltei a ler o poema..Gostei mesmo.

Obrigado pela excelente partilha

mundoameuspés said...

Então isso é optimo :)

Bjinho

mundoameuspés said...

Btw, vou enviar-te um saco cheio de cerejas hihihi ;P

Ted said...

May the right never be wrong...

 
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